sábado, 3 de setembro de 2011

Simples expressões, grandes lições

Há bem pouco tempo, pouco mais de um ano fui, a pedido, trabalhar numa localidade do interior do Piauí, chamada Mangueira, localizada na margem piauiense do rio Parnaíba, entre os municípios de Palmeirais, no Piauí e Parnarama, no Maranhão. Minha ida foi opção exclusivamente pessoal, te

ndo pesado na decisão o clima de agitação que já experimenta Teresina que já alcança o mesmo nível das grandes metrópoles.
Mangueira é um desses lugares onde se misturam as condutas de um povo do interior com as do povo da cidade, por conta do intenso movimento do porto.  Chamo de conduta do interior aqueles hábitos simples de andar bem à vontade, normalmente expressos pelos nativos. Neles se incluem a atividade da pesca, da caça, do plantio de subsistência, a criação de animais para consumo familiar, tudo isso feito sem muita ordenação e pressa: sempre na base do “deixa como estar pra ver como é que vai ficar”, sendo que no final tudo dá certo e todos ficam felizes. Xexéu, que não tem nada do pássaro que lhe emprestou o nome (nem é bonito e nem sabe cantar), é um desses nativos despreocupados com a vida: segue vivendo como o rio, na mesma pressa e ligeireza com que este desce em direção ao mar.
Em Mangueira um movimento de giro no eixo do próprio corpo altera o cenário de forma deslumbrante. No porto principal onde atraca a barca da pipes que transporta os veículos e as chalanas que transportam pessoas, ao fazer um movimento de 180 graus você encontra a natureza, sempre exuberante. O rio, as palmeiras de babaçus e as mangueiras, integram a paisagem.
Foi nesse cenário que tive uma grande experiência de vida: acompanhar e poder gravar no celular um ninho de beija-flor, com a mamãe beija-flor alimentando seus filhotes. Foi uma cena incomum, confesso, pelo menos pra mim. Sou do mato, nasci e me criei no mato, mas nunca tinha tido a felicidade de presenciar, nas minhas andanças pelo mato, tamanho espetáculo.
A emoção foi tão grande que resolvi escrever para compartilhar.
Como aprendiz, observei a regularidade da presença da mamãe beija-flor que não relaxava na obrigação de alimentar os filhotes. No cuidado que dispensava na primeira ameaça que rondasse o ninho. Ah! Exclamei baixinho ao pensar. Se os pais de hoje seguissem esse exemplo, quantos desequilíbrios e desencontros poderiam evitar no futuro de suas crianças.

Em breve mostraremos o vídeo.